Agptea anuncia projetos classificados para a Mostratec
6 de setembro de 2022
Encontro de professores do Ensino Agrícola vai debater os desafios da educação profissional
14 de outubro de 2022

O homem chegou em casa, naquela noite, trazendo o mau humor que o caracterizava
há alguns meses. Afinal, eram tantos os problemas e as dificuldades, que ele se transformara em um ser amargo, triste, mal humorado.
Colocou a mão na maçaneta da porta e a abriu. A luz acesa na cozinha iluminava fracamente a sala que ele adentrou. Deteve o passo e pôde ouvir a voz do filho
de seus quatro anos de idade:
– Mamãe, por que papai está sempre triste?
– Não sei, amor, respondeu a mãe, com paciência. Ele deve estar preocupado com seus negócios.
O homem parou, sem coragem de entrar e continuou ouvindo:
– Que são negócios, mamãe?
– São as lutas da vida, filho.
Houve uma pequena pausa e depois, a voz infantil se fez ouvir outra vez:
– Papai fica alegre nos negócios?
– Fica, sim, respondeu a mãe.
– Mas, então, por que fica triste em casa?
Sensibilizado, o pai de família pôde ouvir a esposa explicar ao pequenino:
– Nas lutas de cada dia, meu filho, seu pai deve sempre demonstrar contentamento.
Deve ser alegre para agradar o chefe da repartição e os clientes. É importante
para o trabalho dele. Mas, quando ele volta para casa, ele traz muitas preocupações.
Se fora de casa, precisa cuidar para não ferir os outros, e mostrar alegria, gentileza,
não acontece o mesmo em casa.
– Aqui é o lar, meu filho, onde ele está com o direito de não esconder o seu cansaço,
as suas preocupações.
A criança pareceu escutar atenta e depois, suspirando, como se tivesse pensado por
longo tempo, desabafou:
– Que pena, hein, mãe? Eu gostaria tanto de ter um pai feliz, ao menos de vez em quando.
Gostaria que ele chegasse em casa e me pegasse no colo, brincasse comigo. Sorrisse para
mim. Eu gostaria tanto…
Naquele momento, o homem pareceu sentir as pernas bambearem. Um líquido estranho lhe
escorreu dos olhos e ele se descobriu chorando. Meu Deus, pensou. Como estou maltratando
minha família.
E, ainda emocionado, irrompeu pela cozinha, abriu os braços, correu para o menino,
abraçou-o com força e lhe convidou:
– Filho, vamos brincar?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.