Integração Lavoura Pecuária e sua importância para a qualidade do solo foi tema de debate em Erechim

Agptea lança livro que conta a sua trajetória iniciada há mais de 50 anos
25 de novembro de 2022
Plantio de erva mate movimenta a economia da Região Sul e agrega renda ao produtor
28 de novembro de 2022

A importância do solo foi o tema principal do terceiro dia de palestras do 37º Encontro Estadual de Professores do Ensino Agrícola, promovido pela Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Técnico Agrícola, Agptea, que acontece no Centro de Eventos do Hotel Blue Open, em Erechim (RS).  O primeiro painel “Solos e Integração Lavoura e Pecuária”, teve como palestrantes o veterinário e produtor rural João Kurtz Amantino  e o diretor da Escola Estadual  de Educação Profissional de Carazinho (EEPROCAR), Celito Luiz Lorenzi.

Amantino abordou em sua fala estar convencido de que o gado não pode faltar em cima do solo uma vez que melhora o sequestro de carbono. “Isso mostra que o gado é extremamente importante porque se bem manejado sequestra mais carbono que o mato e  melhora o solo”, enfatizou. Ele lembrou o início da integração lavoura pecuária em sua propriedade e a introdução depois do búfalo, começando então a exploração da pecuária leiteira com a espécie”, contou, ressaltando ainda os búfalos roçam muito bem o solo  fazendo o arrasamento das pastagens para o plantio de inverno, com aveia e azevém, sem a utilização de dessecantes. Conforme Amantino, a pecuária não deveria ter saído das áreas de lavoura.

O professor Lorenzi, por sua vez, ressaltou que não é possível pensar no solo sem a matéria orgânica  que é o alimento dos organismos do solo. “Precisamos trabalhar para fornecer este material para estes organismos, que são formigas, besouros, bactérias, entre outros, e que têm uma função social dentro do solo”, explicou. Colocou, ainda, que é preciso tratar estes organismos para que dêem retorno e a Integração Lavoura Pecuária  favorece muito. “O pastoreio rotacionado fornece um potencial muito maior de aproveitamento em relação a isso, uma vez que o animal ao passar deixa todos os resíduos que estimulam a atividade microbiana do solo”, enfatizou.

Lorenzi explicou que, por exemplo, para a Região do Planalto, a ILP é fundamental para o aproveitamento do solo e renda para o produtor. Ele também salientou que dentro das camadas do solo existe  um equilíbrio e quanto mais material tiver, mais fertilidade ele tem e com menos adubo utilizado e, portanto, mais saudável. Outra questão levantada por Lorenzi é a importância em cuidar dos Biomas, sendo que cada um tem o seu potencial produtivo.

Já o professor e doutor Edson Bortoluzzi, da Universidade de Passo Fundo (UPF), ministrou a palestra “A importância dos solos em uma agricultura moderna” e fez um alerta severo aos participantes do evento. Pontuou que o Brasil possui 30 milhões de hectares degradados. “Não importa a agronomia que eu faça, temos que preservar o nosso bem maior que é o solo e a água”, afirmou.

De acordo com Bortoluzzi, o setor tem acelerado processos, colocando mais adubo, por exemplo, para cada vez produzir mais. “Só que ninguém combinou com o solo e a erosão não é agricultura moderna”, comparou. Ele defendeu a ideia de que fazer bê-a-bá da agricultura, manejando corretamente, já é suficiente para não termos problemas ambientais. “Em Minas do Camaquã o solo possui três por cento de resíduos de cobre”, exemplificou, dizendo que é preciso pensar na agricultura, não só na propriedade mas no território.

Nessa direção, Bortoluzzi declarou que o setor tem muito trabalho a fazer para a produção do alimento com soberania. “O custo do solo tem que ser computado nas atividades. Há diferentes tipos e cada solo tem seu potencial e aptidão”, explicou, complementando que a agricultura moderna também é pensar na logística de produção e entrega dos insumos. “É inadmissível em nosso país pessoas passando fome”, finalizou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.